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domingo, março 15, 2009

O Parchal donde a gente moramos

O Parchal era uma pequena aldeia, ao pé de Portimão, pertencia legalmente a Estômbar (que, por sua vez, pertencia ao concelho de Lagoa), e tinha como principal característica o ter uma porção de fábricas conserveiras. Como a doca do pêxe de Portimão foi construída no lado de cá (ou seja, devia chamar-se doca do Parchal), como se pode ver no mapa de satélite abaixo, ficava mais rápido transformar o pêxe deste lado do rio Arade. Isto tudo sim senhor, até aí aos anos 60. Depois, e eu cá na sei quejête, isso começou tudo a falir e agora o que há é só chaminés com ninhos de cegonha. Até há bem pouco tempo, o Parchal tinha-se tornado nisto: uma vila em franca expansão, desanexada de Estômbar, onde a malta que trabalhava em Portimão vinha viver.


O Parchal d'antes:
(Podes carregar nas imagens se as quiseres ver mais grandes.)
(Os números do mapa de satélite [acima] correspondem às identificações abaixo.)

1 - A ponte do comboio. Arranjaram-na há pouco tempo. Estava toda cinzenta, ficou às cores. Deve ser para combinar com os comboios que agora estão cheios de grafittis.2 - Estação do comboio. Há quem lhe chame estação da CP, estação ferroviária, apiadeiro, mas para quem é do Parchal, aquilo é e será sempre a estação do comboio, onde tem o café onde os drogados se juntam às vezes para jogar um senúcar e beber umas mines. O raio da estação há muito tempo que não é estação: é um apeadeiro. Lá está: onde era para ser uma estação, é um café (e não vende bilhetes, temos de os comprar ao pica). O raio da estação ainda tem o nome de Ferragudo. Quando fizeram aquilo, por alturas de inícios do século XX, não havia praticamente Parchal nenhum e a terra mais perto era Ferragudo. O que é facto é que o Parchal já é Parchal há uma porção de tempo e ainda hoje quando quero ir para o Parchal, tenho de pedir ao pica um bilhete para Ferragudo. Se eu quisesse mesmo ir para Ferragudo, saía na estação do Parchal e ainda tinha de andar alguns 2kms a pé que até me lixava.
Ao lado do "estacafépeadeiro" (chamemos assim à mistura destas 3 coisas) fizeram uma sede para o então criado agrupamento de escuteiros do Parchal, com o número 1256. Até ficou uma coisa bem fêta e, na festa da paróquia, é lá que se faz a festa.

3 - Lidl do Parchal. Palavras para quê? Onde era uma fábrica de pêxe, fizeram um Lidl e a verdade é que a malta do Parchal precisava mesmo daquilo.

4 - Arruamentos e casas. Mais uma catrefada de apartamentos. Agora já estão praticamente todos feitos, como demonstra a foto.

5 - Pavilhão Desportivo Prof. Manuel Ferraz. O Stor Manel Ferraz era o presidente do conselho directivo da escolha C+S Rio Arade (que fica... no Parchal). Fumava muito, deu-lhe qualquer coisa e morreu. E assim ficou este pavilhão desportivo com o nome dele. Diga-se que é uma bela infra-estrtutura que recebe jogos oficiais regularmente.6 - Urbanização Encosta do Pateiro. O Pateiro (nome que homenageia o guarda-redes do Sporting, Rui Patrício) é uma das 3 zonas do Parchal (a saber: Parchal; Bela Vista e Pateiro). Antes havia só um bairro, agora, do outro lado da EN125, fizeram mais um. Já está acabado há alguns 2 anos.

7 - O bairro da CHE Lagoense. CHE não é nenhuma homenagem ao Guevara, quer dizer Cooperativa de Habitação Económica. Os bairros do Pateiro também são da CHE e os da Bela Vista tambem. Este é mesmo o original, o do Parchal, construído nos finais da década de 80 para trazer malta para a freguesia, agora tem mais pinta de bairro social que outra coisa. É nos suburbios do bairro da CHE Lagoense que se junta a malta mais underground para praticar o bulying e o fumating drugs. Quase uma Cova da Moura à algarvia. Ponham-se a pau antes de lá entrarem...



O Parchal d'agora:
(Podes carregar nas imagens se as quiseres ver mais grandes.)
(Os números do mapa de satélite [acima] correspondem às identificações abaixo.)

1 - A Ponte-velha (é assim que chamamos à ponte que, desde 1876, une o Parchal a Portimão) está agora a ser arranjada. Ou seja, está encerrada ao trânsito. Só passam lá pessoas e motas e bicicletas. Mas, porque os estrangeiros são mais gente do que nós, todos os verões, quando eles vêm cá de férias, abrem a ponte. É uma maravilha.
Enquanto aquilo está fechado, a malta que vive no Parchal e em Ferragudo, tem de ir dar uma volta de 9kms pela Ponte-nova, onde levamos com o perfume da ETAR de Portimão, antes de chegarmos ao hospital.

2 - Rotundas. Fizeram algumas 6 e já estão a fazer outra na entrada para o bairro velho do Pateiro. Como se vê pelo mapa de satélite, acima, quem entra no Parchal vindo da Ponte-velha encontra agora uma rotunda para servir quem quer entrar na lota, outra para quem quer entrar no LIdl, (que é esta que aparece na imagem) outra para quem quer entrar no bairro da CHE (na mesma imagem, onde estão os primeiros semáforos) e mais uma porção delas a caminho de Ferragudo, para a malta que vai para o Pavilhão do Arade andar com a cabeça à roda.

3 - O E.Leclerc do Parchal. Separado do Lidl por apenas uma rotunda. Igualmente construído numa antiga fábrica do pêxe. Serviu para dar emprego a muita malta que, assim, tem mais fontes de rendimento para comprar substâncias ilícitas (ou drogas, vá).
Esta imagem mostra essencialmente parte da fachada do hipermercado e, na frente, um animal... puxado por outro.

4 - Pavilhão do Arade. É um centro de congressos onde só vai malta fina. Tem todos os luxos. Uma obra patrocinada por uma porção de autarquias que, até agora, só recebeu a cerimónia da inauguração. Tem estado sempre às moscas.

5 - Cemitério do Parchal. Antigamente, a malta que vivia no Parchal tinha de ir morrer a Estômbar ou a Lagoa. Agora estão a construir um cemitério no Parchal, a seguir ao Pateiro. Não vejo a hora de ver aquilo estreado, cheio de gente morta!

6 - Complexo Desportivo da Bela Vista ou, como a malta gosta de lhe chamar, Estádio Olímpico do Parchal. Ainda está em construção, mas, como já aqui mostrámos, será uma infra-estrutura cheia de gabarito: relvado sintético, pista de atletismo, bancadas cobertas, etc. ... O que acontece é que, há pouco tempo fui ver como andavam as obras daquilo e o que vi fez-me alguma espéce: à volta do estádio puseram umas redes de arame. Ora, qualquer um que se assome à rede vê o que se passa no relvado. Que sentido é que isto faz? Sabe-se que o Parchal não tem nenhuma equipa profissional, mas isso não impede aquele estádio de, um dia, receber um jogo oficial a pagar. Mas com esta magnífica rede, as gentes do Parchal podem assomar-se à rede e ver o jogo à borla. Vêem de pé ou levam um banquinho e uma merenda e passam uma tarde desportiva que é um mimo.


E pronto, este é o Parchal donde a gente moramos. É uma terra como as outras, com a particularidade de ficar no Algarve, o que faz dela uma terra melhor que as outras. No Parchal não há praias, mas elas não ficam muito longe. No Parchal não há polícias, mas os assaltos e tráficos acontecem de noite, quando toda a gente está a dormir, por isso, 'tá-se bem. No Parchal não há muita coisa, mas há os Arranhí Pacanherra, uma malta fixe que mostra a sua fixice ao mundo inteiro.
Se algum dia algum de vocês passar por cá, lembrem-se da gente, digam qualquer coisa com antecedência. Com sorte, ainda têm a oportunidade de nos conhecer pessoalmente (o que não sei se é bom ou se é mau?...). Vivó Parchal!


Arranhí Ascostasefiqueicomgarronasunhas

segunda-feira, março 09, 2009

16ª Fêra dos Enchides


Essa coisa que é a Fêra dos Enchides, toma-nos o espírito uma vez por ano, por alturas do mês de Março. Este ano não foi diferente. De maneiras que a gente gasta-se uma tarde do fim-de-semana naquelas paragens, cheirando e provando as maravilhas degustativas que por lá andam. Eu cá, influenciado pelos inúmeros outdoors que o Carlinhes Tuta andou a espalhar por esse Portugal fora, fui lá de novo, à procura de ver uma banda de fado que é a Diolinda.
Era só gente naquele desterro: onde havia campo p'ra meter um carro, era um carro que estava lá. Onde havia bucho p'ra meter um naco de morcela, chôriça, farinhêra ou mólhe, era isso tudo que estava no bucho. De maneiras que, após ter comprado numa barraquinha de lá uma meia dúiza de pães com chôriça, fui abordado por uma malta castiça, que vendia nessa mesma barraca, e que se dizia "fã dos Arranhí Pacanherra". Sinceramente, não sei se fiquei mais surpreendido pelo facto de eles terem conseguido pronunciar o nome correctamente ou se pelo facto de serem nossos fãs. Surpreendido e contente: sabiam de cor mais squétes que a minha frágil memória se dignara a guardar:
- Pssst, pssst!! Olhe, escute, pssst!! - Eu olhei. - Você não é daqueles rapazes que fazem os Arranhí Pacanherra? - E foi aqui, neste momento que senti simultaneamente orgulho em ser tão parvo e vontade de ir à casa de banho fazer contas ao almoço.
- A gente gosta muito do vosso trabalho!
- Vocês são melhores que os Gato Fedorento!
- Você pode assinar-me aqui este baralho de cartas que fui pedir ali à barraquinha da Caixa Agrícola? - Foi a primeira vez que alguém me tratou por você, com o respeito que uma personalidade ignorada merece.
- Bora aí fazer um encontro de basofes?
- Hee, é buéda fixe aquele do cigano a conduzir... - Diziam-me eles ao mesmo como se estivessem numa sala de aula a pedir para sair mais cedo.
E enquanto eu dava o dito autógrafo, dizia-me um deles (o senhor António Ramos) que no seu programa de rádio dos domingos de manhã, na Rádio Fóia (que, diga-se, é a voz mais alta a sul de Portugal), tinha falado de nós. Fiquei perplexo e sem saber o que dizer. Shô António Ramos, parece que vocêa gosta tanto dos Arranhí Pacanherra quanto eu gosto dos seus pães com chôriça.
Posto isto, hoje somos um pouco mais internacionais. O concerto da Diolinda foi o menos importante: ela dança bem, canta bem, é gira, vende milhares de discos, mas nós é que passámos na Rádio Fóia sem sabermos. Diolinda, vê lá agora se fazes melhor!!

Arranhí Ascostasefiqueicomgarronasunhas

domingo, março 01, 2009

Os velhos caquenhos do Parchal

Há uma cambada de velhos caquenhos, indignados com a vida, oriunda do Parchal que discute a sua caquenhice ora nos bancos de jardim, ora nos terraços das casas altas, como é o caso de hoje. Estão sendo entrevistados para o programa Bom dia Manhã, por Hortêncio Malaquias e explicam tudo o que está ao seu redor. Ora as zonas dos drogados, ora as zonas das fábricas velhas, ora as zonas das fábrias velhas onde agora os drogados se drogam... Sabem tudo, eles, mas são caquenhos c'mó caraças!!

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Anda Cómig

Já alguma vez ouviram falar no Dia dos Namorados? E nunca sabem o que oferecer ao vosso cônjuge quando chega este dia? Então aprendam esta magnífica canção, a primeira totalmente escrita e composta em algarvio, de cariz romântico, que fará certamente as gajas malucas, interpretada pelos Arranhí Pacanherra, num trio de cordas ao ar livre:

Letra:
Naquel dia olhê pra ti
E fiquê lóg aparvalhád.
Tive dir lóg até ali
Pa despairecer um bucád.

Fui à rua ganhar coragem
Pa conseguir ir ter contig
Porque tu és uma paisagem
Com flor de amêndoa e de fig.

Preguntê-te s’eras soltêra
E tu dissestes-me que sim.
Fiz esta música purrêra
Pa saber se gostas de mim.

Mé Dés do céu és même boa
E tamém és buéda gira.
Pensand em ti tô semp à toa
E o meu olhar até revira.

Anda cómig até além,
Que eu levo-te a casa despois.
Compro-te um pastel de Belém
Pa dividirmos entre os dois.

Sou pobre como tu já viste,
Mas tenho muito amor pra dar.
Toma este cruassante miste,
Até posso pô-lo a tostar
Por ti… faço tudo por ti.
Prálém de seres boa e bonita,
És simpática e inteligent,
Tens um cabelo bué catita
E um sorriso Pepsodent.

Vê também que eu sô bom moço:
Na fumo, na bebo nem tou na droga,
Tenho cócigas no pescoço,
Sou do Benfica e já fiz yoga.

Gosto de ti mesmo bués.
Posso ser o teu samurai.
Gosto tanto que se quisés
Posso ir falar com o teu pai.

Mas eu sou um bocado lento
E é normal que não me queiras.
Tenho um emprego pachorrento:
Entrego a Dica às quartas-feiras.

Mas vem cómig até além
Peu te mostrar que valho a pena.
Sem ti eu sou um Zé-ninguém,
Contigo sou o Ayrton Senna.

És a mulher da minha vida,
Faço tudo pra te merecer:
Passo a ferro e faço comida
E até posso falecer
Por ti… faço tudo por ti.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Literatura de Retrete

Cara malta, merda toda a gente faz; o mundo divide-se, por isso, naqueles que falam dela e nos que sobre ela não falam. E se há coisa que a história nos tem vindo a ensinar é que pôr as coisas em cima da mesa só ajuda; ajuda a conhecermo-nos melhor, a repararmos que não estamos sozinhos neste mundo ou até que fazer o cocó tem muito que se lhe diga.


Raros são aqueles que guardam memórias de quando eram novos e cagavam as fraldas, ou da primeira vez que fizeram no bacio. Poderá ter sido o nosso primeiro sucesso, mas normalmente as bravuras associadas á merda não são dignas de recordação, o que é uma pena. Depois crescemos, vem a adolescência e perante os nossos olhos começam a insurgir-se as primeiras beldades da escola, as mais giras e as mais boas. Eu e o meu grupo de amigos, especialmente dedicados a jogar à bola usando latas como postes e a falar de gajas criámos o mito de que as gajas boas não faziam cocó. Afinal, de cus tão belos não poderia nunca nascer uma coisa tão malcheirosa quanto o cocó. À medida que fui crescendo, fui descobrindo a total falsidade deste mito, e, ao mesmo tempo, a sua força e credibilidade: não só as gerações mais novas de adolescentes parvos continuam, pelo que sei, ainda a acreditar nisso, como vi que este mito não se limitou ao Parchal: em milhares de escolas por este país fora, talvez dezenas, muitos são os adolescentes que acreditam nisto mais do que em Cristo. Amen!


Depois da adversa aceitação deste mito, a minha observação recai sob a sociologia do acto de cagar. Há gente que enquanto caga lê (e a esmagadora maioria das preferências recai na Dica da Semana), ouve música, reza, manda SMS’s, escreve (e se a retrete for pública, aproveita para perpetuar a sua presença na terra com uma mensagem alusiva a si mesmo ou ao seu clube de futebol, ora com corrector – nunca de pincel – ora com esferográfica) ou simplesmente olha os objectos que o rodeiam, a fim de se concentrar para o trabalho que desempenha que, por vezes, se verifica árduo, conforme aquilo que come.

Inimigos desta vertente da sociologia há muitos. A própria língua portuguesa não aceita o verbo cagar e as suas conjugações, nem palavras como merda, poito, poia, raleira, caganeira, borreira ou a recém-inventada borraneira. Quando estive em Londres, ainda há pouco tempo, reparei que para cagar nos cubículos retretais públicos é preciso pagar. O sistema funciona como as máquinas de bebidas ou chocolates. Ora, na hora do aperto, quem é que tem pachorra para andar a enfiar trocos e a separar moedas? Para aliviar a tripa paga-se uma libra, mais que um euro. Duzentos paus para cagar! Realmente o custo de vida em Inglaterra não é para todas as carteiras. O frio invernal, que parece arrefecer as sanitas propositadamente, tornando custoso o acto da gente sentar a pele quentinha do cu, é um inimigo que não deve ser esquecido. Igualmente a tosse: não me alongarei muito sobre este particular, mas já algum de vós tentou cagar e tossir ao mesmo tempo? Mais do que um convite, é um desafio!


Mas neste mundo também há coisas bonitas de se dizer. Muitos foram os filósofos e poetas que se inspiraram aquando do acto de cagar. Manuel Maria Barbosa du Bucage é o português que escrevia os seus sonetos de cocras, arreando atrás das moitas do Palácio de São Bento. Eu mesmo dei à luz este texto sentado. Nunca ninguém precisou de musas sentado numa retrete. Posso também sublinhar os inúmeros nomes que se podem dar ao acto de cagar, tais como arrear o calhau, mandar um fax, escrever uma carta, ler uma revista, largar o pistão, afogar o Mantorras, libertar o prisioneiro, cumprimentar o Sr. Castanho ou até rezar um pai-nosso. E porque cagar é das poucas coisas que homens e mulheres fazem de igual maneira, porque não discutir este assunto para os unir, ao invés de os separar (eles dizendo que sabe bem, elas dizendo que é nojento…)?


E com isto me despeço, deixando ainda um soneto do mestre, Bocage, acerca deste tema tão ignorado injustamente. Até mais, saudações teatrais: muita merda para todos!


Vai cagar o mestiço e não vai só;

Convida a algum, que esteja no Gará,

E com as longas calças na mão já

Pede ao cafre canudo e tambió:


Destapa o banco, atira o seu fuscó,

Depois que ao liso cu assento dá,

Diz ao outro: "Oh amigo, como está

A Rita? O que é feito da Nhonhó?"


"Vieste do palmar? Foste a Pangin?

Não me darás notícias da Rossu,

Que desde o outro dia inda a não vi?"


Assim prossegue, e farto já de gu,

O branco, e respeitável canarim

Deita fora o cachimbo, e lava o cu.


Arranhí Ascostasefiqueicomgarronasunhas

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Tournée Pacanherra em Londres

Quando se ouve falar em Inglaterra, pensa-se na Rainha, nos seus soldados com aqueles capuzes felpudos espetados para cima, nos pounds (ou quids, a moeda de lá) mas também se pensa nos grandes clubes de futebol como o Sunderland ou o Middlesbrough. Já para não falar nas candidatas à Miss Inglaterra só com aquela faixa a tira-colo a tapar os corpos desnudados de mulheres jovens e esbeltas... Bom... Viemos hoje falar desta magnífica terra, mais propositadamente em Londres, porque foi precisamente aí que dois de nós fomos há uma semana. Porquê? Simples: Porque, há um mês atrás, estávamos nós a celebrar a morte de porco lá na serra, com a faca espetada na guela do malçuade, ali a jorrar sangue como uma torneira, quando nos ligaram. Um homem, enquanto dizia que era um manager (julgamos que queira significar mangedor ou um gajo que come muito em português) lá da Inglaterra continuou a falar em estrangêre e o que tava com o telemóvel em punho, como não sabia falar aquela língua dos bifes, apenas soltava um tímido "yes" (a única palavra aprendida na escola quando eramos mais novos e ganhávamos os jogos de Ping-Pong). O bife todo contente, desligou o telemóvel, e nós com o porco ali a grunhir, lá atanchámos mais uma facada no pobre coitado. Três dias mais tarde, ao recebermos uma carta de um manager Sir Thomas Cook (Senhor Mangedor - eles lá também só comem é porcarias), e depois de a passarmos para um tradutor inglês-português (abrasileirado) aqui no google (sim, porque ainda não temos dinheiro para pagar a um tradutor conceituado) vimos que tínhamos sido convidados para fazer uma... Tournée Arranhí Pacanherra em Londres, para as comunidades portuguesas lá a morar. Qual Tony Carreira, qual Emanuel, lá fomos dois de nós (o magrinho e o baixinho), pois os outros dois, impossibilitados com tanto estudo, frequências e exames cagaram-se nisso. Durante cinco dias, tínhamos uma mão cheia de actuações, agora precisávamos de saber era o sítio. Em poucas palavras, podemos dizer que o alojamento e o transporte foi uma maravilha: Hotel de 5*, limusina vermelha com dois andares, refeições nos restaurantes mais luxuosos da cidade... bem... quase.
Como não tínhamos conhecimento dos sítios onde actuar, toca de perguntar aos senhores bifes, por acaso bastante simpáticos. Embora a maioria não percebesse nada de indicações: um exclamou "Bloody hell, you're all rubbish!" Ficámos na mesma. Outro manda-nos para um sítio chamado Madame Tussaud. Chegámos ao dito teatro, mas tudo o que vimos foi aquilo tudo cheio de personalidades, até já algumas falecidas. Pensámos que eram o público para nos ver actuar. Para dar ambiente fomos falar com alguns, entre o José Mourinho e o Jim Carrey, mas eram homens de poucas palavras. Já fartos de andar por aquelas salas, nunca chegámos a ver o palco para entrar. Parece que eles lá, actuam nos corredores. Foi o que fizemos. Eles bem olharam para agente, mas aplausos nada. Público difícil, também se calhar pela língua ser diferente e não perceberem nada. Ao sairmos, reparámos numa placa Madame Tussaud: Wax Museum (o que em português quer dizer Museu da Cera da Senhora Tosse - estava tudo explicado).

Voltámos sem entender a cultura inglesa e como eles se divertem, é que nem sequer ficámos a conhecer o famoso Big Ben (O Grande Benjamim). Isto é, pensámos que o homem mais alto do mundo estava numa daquelas feiras de freaks, porém o que vimos foi apenas uma torre quadrada cheia de ouro com um relógio em cada lado. Enfim, nem tudo pode ser como nós queremos.
Arranhí Semquereracrostadamalçuadaferida

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Oh porra, afinal é fácil!

Aparentemente, temos andado ausentes das nossas funções de pacarrenheiros. Desde o Natal para cá temos todos vivido da boa vida (basicamente o normal, só que sem o trabalho de vir aqui dar notícias). E o que nos fez renascer qual fénix das cinzas? Simplesmente o facto de termos ficado um mês e tal sem postar, porque, caso contrário, não se trataria dum renascimento.

Meus amigos, acabaram-se as desculpas, ir do Parchal a Moscovo não custa nada.
Quem quer que tivesse para aí cheio da tesão do mijo de ir à maior cidade da Europa, meta os cavalinhos à chuva, que já faltou mais.

Como se pode vislumbrar no mapa, um gajo sai do Parchal, sobe Espanha sem ir a cidade importante nenhuma, vá França por ali adentro, parando em Paris para comer uma omelette numa baguette e brincar aos mariconsos, de seguida, atravessa-se a fronteira com a Alemanha, onde se pode aproveitar para comprar um carro de alta cilindrada alemão e isento de impostos (para não se ter que ir com a fusca que treme quando passa dos 120 por hora que uma pessoa anda em Portugal. A culpa é do governo, que nunca ajuda ninguém. Mas a gente lixa-os, ali a trabalhar sem descontar e inscrito no fundo de desemprego à mesma.), para se poder aproveitar as virtudes da Autobahn e assapar a 900 à hora, até ficar a bater com os sobrolhos no tejadilho.

A próxima nação a visitar é a Polónia, onde em Varsóvia se vira à esquerda como quem vai Byalistok, e sem dar por ela estamos na Bielorússia, onde se pode sempre apreciar o mato cerrado e os cogumelos. Finalmente, seguindo pela E30, que apanhámos ainda quase na Polónia, chega-se à sempre acolhedora Federação Russa, e depois de outro dia a conduzir, ai está ela, Moscovo.
As possibilidades são ilimitadas: podemos praticar terrorismo biológico dando uma bufa no Kremlin, ir rezar o terço à Catedral de São Basílio, ir para a porta do teatro Bolshoi gabar as capacidades poéticas do Gil Vicente, ou visitar uma atracção única no mundo e perder 3 ou 4 dias à deriva pelos 300 km do metro de Moscovo, até sermos exportados pelos serviços de estrangeiros e fronteiras.
Resumindo, horas e horas de pura diversão extremamente funny, e tudo isto não demora mais do que:

Exactamente, 4725km de cu sentado no Renault, 62h e mais um quarto a ouvir a Bola Branca, ou o Oceano Pacífico, ou a compilação 40 Anos de Amor Eterno do Marco Paulo, ou ainda a cassete do Quim Barreiros comprada na estação de serviço de sei lá, Boleslawiec, na Polónia. E pelo económico preço de 80 contos em gasolina. É de aproveitar, agora que o petróleo tá a descer.

Toda a minha vida ouvi gente a dizer, "fogo, eh diébe, precisava mesmo de ir ao Moscovo ver um médico especialista da vesícula", ou "Eh pá, amanhã é feriado da Igreja, devíamos ir à rua das lojas de Moscovo, que lá é dia de trabalho. Para Ayamonte não vamos, que depois tão lá os portugueses todos", mas no fim, com a desculpa que não sabiam ir lá dar, ficavam antes a ouvir o relato dos Distritais.

Pois acabaram-se os miúfos, que eu vou colocar aqui o caminho todo certinho até Beja, que é o que mete mais confusão.

É fácil, passe o Parchal, continue ao longo da N125, existe o Parchal, por ali adiante, até à Rua do Cemitério, e daí até Moscovo é sempre em frente.
Arranhí Océrebroquandotavátirarummacaco

terça-feira, dezembro 23, 2008

O desafí verdadêr da Tita

Bem, antes de mais, é agradecer à Tita, porque se na fosse ela, ainda hoje na havia post novo. Depois é agradecer o desafio e o facto de termos arrecebido um dicionário de Português, por parte dela. Dizer também que a oferta do dicionário de Português no é extremamente útil: depois de sabermos falar fluentemente o Algravio, o Inglês, o Holandês, o Alemão, o Brasileiro, o Francês de Alcochete, o Espanhol, o Portunhol e o Galego, fazia falta aprendermos mais uma língua estrangeira. Na verdade, temos tido no verão muitos turistas vindos de Portugal, mas falamos com eles em Algravio e eles costumam perceber, e a gente também. De qualquer das formas, o saber não ocupa lugar, a menos que o dicionário não seja de bolso.
Dizer também que o desafio consiste em passar o desafio a 9 bloguistas, blogueiros ou gás que possuam blogs que nós acompanhamos ou que nos acompanham, o que, para nós, é uma tarefa impossível: não temos mais de 5 acompanhantes, tirando a gente. Que se lixe: a gente, como bons algravios de puro sangue, desenrasca aqui uma coisa qualquer. Ora aqui vai:

Pá Tita: uma Gramática de Português de Portugal. Porquê? No seu último post violou regras gramaticais que nos parecem graves para alguém que tem como língua mãe o Português, nomeadamente o facto de não brindar nomes próprios com maiúsculas (ex.: "pacanherra"(l.1) -> Arranhí (com acento no i) Pacanherra), o facto de não acentuar uma palavra esdrúxula ("bloguistica"(l.5) -> bloguística (tal como linguística)) e, mais grave ainda, o facto escandaloso de, na mesma frase, trocar um verbo por uma preposição e pôr uma redundância ("...e que vos acompanham a vós à algum tempo..."(l.7) -> ...e que vos acompanham há algum tempo...). E também um dicionário de algravio, só mesmo porque já existe um.
Pá Joaninha: um par de peúgas (cor-de-rosa).
Pó Rafêre: um par de peúgas (já usadas).
Pó Costume Fáxavôr: um par de peúgas (da cor do costume).
Pó Parente da Refóias: um par de peúgas (compradas à do João Chula).
Pá Biépi: um par de peúgas (peúgas felizes).
Pó Sorrizes em Alta: um par de peúgas (com um smile a rir desenhado).
Pá Loja da tia dela: um par de peúgas (térmicas, pcása da circulação do sangue).
Pá Anita: um par de peúgas (com a cara do Panda).

Agora é quem quiser, fazer o mesmo. E feliz Natal.

Tomem lá aqui uns vídeos natalícios qué pa matarem sódades.



sábado, dezembro 13, 2008

Parabéns, Cabeludo!

Faz hoje 19 anos que na cidade de Lisboa veio ao mundo um gaiato que pesava 5 quilos e trezentas, sendo que 2 desses quilos eram só cabelo. O gaiato marimbou-se pra viver num local tão cheio de casas altas, cheio de pessoas que falam "normal" e tão vazio de praias e de gajas em biquíni, como tal, veio morar para uma piquena terra situada nos confins do sul do país, o Parchal. Aí fez escolas com distinção onde era conhecido não só por ensinar alguns professores Álgebra Descritiva e Linguística Medieval Portuguesa, como por ser o gá má benfiquista da rua dele. Durante toda a sua juventude, foi-se vendo livre aos poucos daquele sotaque normalzinho que aprendera em Lisboa e hoje, estudando na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é ele quem ensina o sotaque algarvio a colegas e professores, tendo também sido ele o criador do "Mestrád em Stáq Algravi, Déh!" leccionado por ele nessa mesma faculdade.
Os nossos mais sentidos parabéns e felicidades ao nosso Cabelude!

Eis agora o seu mais recente squét, onde ele desempenha o papel de um jovem licenciado que, ao contrário de todos os outros, está empregado e bem empregado:

domingo, dezembro 07, 2008

No Parchal ergue-se um Estádio Olímpico

Malta, este é um post mais informativo do que galhofeiro. Como blog espectacular que é o nosso, há um dever de serviço público que os Arranhí Pacanherra, às vezes, se dignam a cumprir. Este é um desses casos: a importância desta infra-estrutura assim o justifica. E para além disso não há mais nada na internet a falar sobre esta magnífica capela do futebol (falta ainda um pouco de tamanho para ser uma catedral).

Para os turistas que não sabem onde fica o quê, ponho aqui um mapa. Do lado esquerdo temos Portimão. Cercado por uma bolinha branca temos o histórico estádio do Portimonense, agora Municipal de Portimão, que, com 78 aos de vida, espera a construção do Complexo Desportivo de Portimão, na estrada de como quem vai para Alvor, para ver a sua demolição. No local será (diz-se) erguido o pulmão verde da cidade. No meio, temos o belo Rio Arade, que desagua docemente no Oceano Atlântico. E no lado direito temos a futura capital do Algarve, o Parchal, essa expansiva metrópole em miniatura já muito mais evoluída do que aquilo que a foto por satélite mostra, que, de resto, já deve ter alguns 3 anos. Ferragudo é uma vila que tem como principal característica uma bela vista para a marina de Portimão e uma estação ferroviária situada no Parchal: insólito. Mas foquemo-nos, para já, na bolinha vermelha, que indica o local geográfico onde será erguido o Complexo Desportivo da Belavista (a Belavista é a zona dos ricos e das vivendas do Parchal. Tá pó Parchal como Cascais tá pa Lisboa e como a Foz tá pó Porto). No mapa é possível ver ainda, a sudoeste, uma parte da gigante Praia da Rocha, local onde o Zezé Camarinha se fez um homem e onde a gente se faz às mulheres.
Quando se sobe o monte do Parchal, onde a Escola E.B. 2/3 Rio Arade se situa, e andando um pouco mais para a frente como quem vai pá Belavista, é possível ter-se uma vista panorâmica do estádio.
Já lá ao pé do estádio, podemos ver as escadarias de acesso às bancadas, a bancada que será coberta, a zona destinada à imprensa, os balneários, os tapumes e os contentores onde os trabalhadores (africanos, vi eu!) dormem.

Do outro lado, consegue-se ver mais melhor a bancada que não será coberta (aquela que é destinada aos cidadãos não-ricos).Rodando mais um bocadinho, podemos observar mais melhor a tal bancada de que vos falava. Em tempo de chuva, é importante colocar as cadeiras nesta bancada o quanto antes, para que se deteriorem. Como são destinadas aos cidadãos não-ricos, pouco importa se as cadeiras estão em condições ou não. E olhando para o estado do terreno de jogo e para a pista de atletismo (ainda inexistentes) é impreterível dizer que este é o momento certo para colocar as cadeiras.

Mais pormenores do actual estado do terreno de jogo, que irá receber um relvado sintético e uma pista de atletismo. Vê-se em baixo uma das estruturas em betão que receberá o poste de iluminação e vê-se também uma série de manilhas de esgoto e terra amontoada, que servirão para... pôr num lado qualquer.
E pronto. Do Complexo Desportivo da Belavista era tudo. O vento estava de Portimão para o Parchal e como tal era possível ouvir o gajo do microfone no Estádio Municipal de Portimão anunciar os titulares do jogo que começava às 4 da tarde. O Portimonense jogava em casa com o Feirense e eu ali, a tirar fotos. Fui-me logo embora pra casa ouvir o relato.

Pelo caminho ouvi barulhos vindos de dentro do Pavilhão Desportivo Prof. Manuel Ferraz (que é o director falecido do tempo em que eu andava na escola Rio Arade). Não ficava por ali a minha tarde desportiva. Vi um carro da GNR à porta, o que me levou a pensar que era de importância particular o que se passava lá dentro.Vi-me forçado a entrar, até porque me deu um arrepio na espinha semelhante aos que me dão cada vez que o Portimonense sofre um golo (o que, mais tarde, se veio a confirmar). Lá dentro jogava-se o basquete. À entrada, um senhor guarda conversava amenamente com uma senhora guarda (jeitosa, por sinal), mas nas bancadas do pavilhão não havia ninguém. Sei que os azuis são de Albufeira. De resto, os meus conhecimentos sobre basquete regional são semelhantes aos que tenho sobre a qualidade do ar nas sub-regiões interiores da Indonésia.
Cesto! Fiquei ali a ver a qualidade do desporto, mas como as minhas hipóteses de pedir em namoro a senhora guarda eram extremamente reduzidas, fui-me embora pouco depois.

Quando cheguei a casa descobri que o Portimonense perdia em casa por 0-1. O meu arrepio na espinha nunca falha! Enquanto construía este post, ouvia o relato e acabei ainda por sentir mais dois arrepios na espinha. Perdemos 1-3 com um golo de honra ao cair do pano. Não vi o jogo, mas fomos roubados de certeza! Árbitros da merda...

Assim se passou a minha tarde desportiva, frustrada no desporto e no amor. Quem disse que quem tem sorte ao jogo tem azar ao amor, e vice-versa? Hoje tive azar nos dois e ainda ninguém inventou um provérbio pra mim. Valha-me o facto de ter feito serviço público.

Arranhí Ascostasefiqueicomgarronasunhas