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segunda-feira, março 03, 2008

Repartições Públicas & Caganêra

Hoje levantei-me ás 6 da manhã e pensava que teria um dia tão normal como todos os outros. Mal pensava eu que seria o dia em que passaria a olhar para Deus de uma maneira diferente: como o gá má maline e má malandre que práí anda.

Depois das aulas, visto ser o primeiro dia do novo semestre, resolvemos ir inteirarmo-nos, eu e mais um casalinhe, dos restantes horários e salas prá semana, nomeadamente de Inglês. Uma rapariga estava lá e informou-nos de que a professora da cadeira é a maior bruxa da escola e que existe uma disciplina equivalente e com um horário muito melhor. Resolvemos então proceder á troca das cadeiras enquanto houver vagas, mas a senhora que tratava disso, como foi dito na secretaria, a Dona Mari Zé só se apresentava ao serviço às 2 da tarde, e isto eram umas 11 horas.

Já tinha o almoço pronto em casa, à espera de ser aquecido e já almoçava muito contente quando me deu uma valente dor de barriga que nem sequer me deixou acabar de comer em condições. Como diziam os antigos, "o cu é que manda". Fez-se 1 da tarde, e como o trajecto de casa até á escola demora aproximadamente 1 horinha, se for a mandriar, fui andando.

Só à saída do metro na estação da Cidade Universitária me lembrei que tinha deixado os documentos importantes em cima da cama e com um "porra, sou sempre o mesmo" desejei que não fossem necessários. Cheguei ao departamento de estudos anglísticos eram umas 2:20, e á conversa com uma rapariga que ia ao mesmo que eu, vimos aproximarem-se as 3 horas, altura em que a reponsável chegou, para nos dizer: "Isso não é comigo, vá ali ao Departamento Pedagógico". Fomos, e quem nos podia ajudar chegava ás 4 e abalava às 5. Pensei em vir a casa buscar os documentos e pedi-lhe que se fosse tarde, fosse embora e não se se preocupasse, e já o intestino pedia novamente que lhe deixasse expelir aqueles inquilinos tão desagradáveis que por lá costuma ter, praticamente desde que chegara. "Um homem na se pode borrar nas calças, aguento até chegar a casa."

Foi a viagem de metro mais longa da minha vida, onde passei além de perigos e guerras mais do que prometia a força humana, agarrando-me com unhas e dentes à vontade de adiar um pouco o inevitável e sofregamente resisti até chegar ao Cais do Sodré. Jà desesperado, inquiri uns senhores da Transtejo sobre a localização do Wc. "Ah, é ali ao fundo, vira á direita." "Não, na vale a pena ir, que aquilo ontem vieram aí, na sê quem, e vandalizaram aquilo tude, partiram e coiso e tão fechadas, olhe...". Merda! Quêra Deus que quem vandalizou o WC nunca lhe dê uma vontade de cagar tão grande como a minha num sítio onde na haja sanitas.

Mais um quarto de hora de suplício na viagem de barco até Almada, querendo onde tive tonturas, suores frios, cãimbras, dores de barriga, dores de barriga das pernas, gómites e calores, e após o desembarque tive que esperar por um amigo que me trazia os documentos, pois até casa levo 15 minutos a pé e perderia a oportunidade de chegar à escola a tempo de fazer alguma coisa. Pensei poder aproveitar para utilizar os sanitários feitos em latão disponíveis na rua, e visto que o bilhete custava 0,10€, saquei logo da carteira. Só tinha uma moeda de 1 éro, outra de 2, e uma de 50 cêntimos. Apressei-me a enfiar a moeda na ranhura mas repetidamente foi devolvida. "Ó home, eu tou-me tranpicande prós oitenta escudos, deixe-me lá entrar que eu tou á rasquinha pa arrear o calhau." As minhas esperanças foram rejeitadas e tendo os documentos importantes, apanhei o barco para não perder tempo. Surgiu-me utilizar a casa de banho do barco.Foi dos WC mais miseráveis que já utilizei na vida, fazendo justiça a qualquer nau que tenha feito a carreira das índias. E como todos os WC públicos em Portugal, não havia papel, pois está cientificamente provado que o primeiro português a entrar na casa de banho rouba logo quantos rolos lá houver. "Que fazer? Alguma solução há-de haver. Depois de cagar pensa-se melhor." Libertei a pressão o melhor que pude, com a mesma alegria que uma criança abre os presentes de Natal. Pior foi para limpar. Não tinha lenços de papel, e como a necessidade aguça o engenho, saquei dos apontamentos de Estrutura das Frases em Português e usei-os para a única coisa que serviam (vá, é mentira, usei uma pagina do caderno em branco). Sempre achei que ter lenços na mala fosse coisa de gaja. Anuncio já aqui que a partir de hoje vou trazer lenços, toalhetes, toalhitas, rolo de cozinha, guardanapos, fraldas e penico na mala. Vou ser a maior gaja que caga a bordo dos Cacilheiros.

Serviu para me dar um pouco mais de alento e conforto até à escola, e segui com pressa. à saída do metro encontro a rapariga. "Na te aborreças que na vale a pena, a mulher disse que é na secretaria, e esses à hora de saída nunca se atrasam. Fica para amanhã."Com tristeza vi a inutilidade do meu esforço e voltámos ao metro, com ela amparando-me na minha profunda desilusão. Não via o momento de sentar o cu na sanita. Perdendo metros e barcos por segundos cheguei a Cacilhas até mais cedo e subi correndo a ladeira ingreme que leva à praceta onde moro. Por certo alguém me rogou uma praga, pois tive uma porção de tempo sem poder levantar o cu da sanita. Tive tempo de ler "Amor em Tempos de Cólera" de García Marquez e "Lolita" de Nabokov, e ainda quis ler o Épico de Gilgamesh mas tava a ser demasiado ganancioso e fiquei-me pelas 200 primeiras páginas.

À saída da casa-de-banho pesava tanto como quando nasci e o mesmo que uma dourada daquelas que só os homens é que sabem pescar: 3 Quilos e setecentas.Acho que era viável abrir uma clínica de emagrecimento com bae neste tratamento. Senhoras que queiram emagrecer, remédio santo é: tomar um laxante, ir a uma repartição pública que fique longe da sua casa, esquecer-se do papel mais importante em casa e fazer a viagem num veículo que não tenha WC. Resultados garantidos.
O resto da história é melhor contar depois, porque está me aqui a dar umas ânsias na tripa e acho que tenho de ir fazer cócó...

Arranhí Océrebroquandotavátirarummacaco

Post Scriptum: peço desculpa pelo cumprimente do post, mas se acham que isto é comprido, exprimentem fazer 15 estações do Metro même à rasquinha pa cagar.

11 comentários:

PN disse...

hahahahhahahah....

valeu a pena a compridura do texto! quase q me caguei a rir....heheh

bjinhos

Rafeiro Perfumado disse...

Está visto que não conheces o truque de, em caso de grande aflição, limpar-se às cuecas e deixá-las no WC!

aorta disse...

ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah

Tadinho. Deves ter o cú todo arranhado da folha do caderno.
O Rafeiro tem razão. Limpar às cuecas e deixá-las lá, é uma boa opção.

charroco disse...

Epá , desculpa lá ter atracado aqui , mas o raio do motor da traineira avariou outra vez , deve ser a vela encharcada . É o que faz comprar no chinês , são baratas mas ...

Já agora curti o teu blog , é baril .

Abraços , tenho de aproveitar a maré ...

Francis disse...

o verdadeiro post da m....

não havia necessidade pá.

Marina, com ou sem acento no "A" !!! . disse...

e eu que sempre achei que aqueles comprimidos que anunciam na TV para a diarreia não serviam para nada!!!
Ora podes por pernas ao caminho e ir arranjar uma caixinha daquilo!!!

lool

Marta disse...

Que dia de m***...

Sorrisos em Alta disse...

No fundo estavas-te a cagar para a mudança de horário, né?
;o)

Tita disse...

txi! no comment...

acho que darias um grande amigo da floribela alternativa!!

DIARREIAS MENTAIS disse...

pessoal lembrem-me de ler este post mais logo! vim aqui, vi este post que falava em caganÊra e claro que fiquei interessado! Mas não tenho mesmo tempo agora pois tenho de apanhar o 450 para ir ver o benfica! Mas quero mesmo ler por isso se me fizerem o favor, não puxem o tóclismo antes de eu ler tá? ah é verdade, o Diarreias está de volta! E a boa notícia é que continuamos parvos como a porra!

Elizette disse...

e eu com preguiça de ler este post! Os meus pêsames ao teu intestino por tamanho sofrimento e perdoa-me por ter rido tanto À custa desse dito sofrimento... muito cativante a tua escrita, nunca li tanta merda junta e tão bem escrita! =P